Dólar a R$ 4,50 ou R$ 5,40 em dezembro? Gestoras e bancos divergem sobre rumo cambial; confira suas alocações

Alta da Selic e das commodities é ponto positivo para trajetória da divisa brasileira, mas eleições em 2022 e juros nos EUA preocupam

SÃO PAULO – A taxa de câmbio foi criada por Deus apenas para humilhar os economistas. A frase atribuída a Edmar Bacha, um dos idealizadores do Plano Real, dá bem a dimensão da dificuldade que é acertar a projeção para a cotação do dólar ao fim de cada ano, haja vista a grande quantidade de variáveis que afetam sua oscilação.

No mercado local, o desafio para se prever para onde vai a moeda pode ser visto hoje na discrepância em estimativas de bancos e gestoras para a performance do real frente ao dólar, durante o segundo semestre do ano.

De um lado, estão os mais otimistas com o desempenho da divisa brasileira, devido ao aumento da taxa Selic e dos preços das commodities. Eles chegam a prever a cotação do dólar em uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,75 até o fim de 2021.

É o caso, por exemplo, da gestora Persevera Asset Management e do banco francês BNP Paribas, que enxergam em apostas compradas (que ganham com a alta) no real uma boa estratégia para o investidor carregar hoje nos portfólios. Seja contra o dólar, caso da própria Persevera e da Kairós Capital, ou contra pares emergentes que negociem com um prêmio em relação ao real, como avaliam a Gap Asset e o BNP Paribas.

Já do outro lado, estão os mais pessimistas com o real, que preveem a moeda mais perto de R$ 5,30 a R$ 5,40 em um horizonte de seis a 18 meses, como o UBS BB e o JP Morgan Brasil.

No meio do caminho, a mediana das projeções para o dólar no mais recente relatório Focus, do Banco Central (BC), aponta a cotação da moeda americana a R$ 5,05 no fim de 2021, chegando a R$ 5,20 em dezembro do ano que vem.

Em meio a discussões sobre a reforma tributária no Brasil e as denúncias na CPI da Covid, bem como as preocupações com a inflação nos Estados Unidos, a divisa americana acumula alta de 2,3% em julho, até o dia 14, após a queda de 4,7% de junho, que levou o dólar à vista a escorregar para baixo dos R$ 5.

Blindado fiscalmente

No time dos que apostam em um fortalecimento do real, o aperto monetário em curso pelo Banco Central, que tem gradualmente trazido de volta o interesse do estrangeiro, e a forte alta das commodities, com impacto positivo sobre as contas externas, são os principais pilares que embasam a expectativa para o câmbio.